31 de março de 2013

As amêndoas da Páscoa

Há dias, eu estava com o nosso querido S. na sala, junto ao computador.
A certa altura, ele olhou para um dos armários e, através do vidro da porta, reparou numa caixinha transparente que ali se encontra e que contém diversas amêndoas de chocolate.
Então, ele pediu-me:
- Posso comer uma daquelas bolinhas?
Eu ainda tentei dissuadi-lo, dizendo:
- Ó filho, elas fazem mal...
Pergunta ansiosa do menino:
- São venenosas!?
Ao que eu respondi logo:
- Não, meu amor. Mas, elas têm muito açúcar e fazem mal aos teus dentinhos.
Ele insistiu:
- Mas eu queria uma daquelas branquinhas.
Então, eu dei-lhe a entender que só acederia com uma condição:
- Sim, meu querido. Mas, só pode ser uma. Está bem?
Ele acenou afirmativamente com a cabecita e, encostando a língua aos dentes superiores (o que transforma o s numa espécie de d), disse:
- Sim.
Estabelecido este «contrato» entre avô e neto, eu dei-lhe uma amêndoa branca.
Ele mastigou-a muito bem, engoliu-a e não me pediu mais nenhuma.
Depois, eu fiquei a pensar cá para mim: com esta idade, onde é que o menino aprendeu a palavra “venenosas”!? E como é que sabe que as coisas venenosas fazem mal!?...
Boa Páscoa para todos.
Avô Quim

15 de março de 2013

Três anos e dois meses!...

Hoje, dia 15 de Março de 2013, o nosso querido S. faz 3 anos e 2 meses.
Neste último mês, ele tem estado razoável a nível de saúde, tem comido bem e tem ido à «escolinha» todos os dias úteis.
Quando vem para casa dos avós de Coimbra, o menino não se cansa de ver no computador os desenhos do «Tomás e os seus amigos», sendo um verdadeiro apaixonado por um desses amigos: o Diesel 10 (a quem ele chama o «Diesel den»).
Há alguns dias, estava o menino no meu colo a ver esses desenhos quando, a certa altura, eu lhe disse: "Meu menino, muito pequenino..."
Resposta imediata do nosso S.: "Eu não sou pequenino. Eu já sou grande".
Ontem, dia 14/3 (quinta-feira), os pais não puderam levar o menino à «escolinha».
Quem o levou lá foi a empregada (Gabriela ou Gabi).
À tarde, os avós de Coimbra resolveram ir buscá-lo ao infantário e levá-lo para a casa dele.
Quando chegou ao carro e viu o avô, o menino disse qualquer coisa como isto: "Mas, hoje era a Gabi que vinha buscar-me..."
Nós dissemos-lhe logo: "Vieram os avós. Mas, nós vamos levar-te já para tua casa. E, quando lá chegarmos, tu já vês a Gabi".
Ele percebeu, acalmou-se e não disse mais nada até chegar a casa e ver ali a empregada.
E são estas as «fotos» do nosso amorzinho para este mês.
Muitos abraços e beijos para o menino e para os seus papás.
Avô Quim

11 de março de 2013

Faz hoje 1 ano!... Que saudade!...

Querida Madrinha,
Faz hoje 1 ano que você nos deixou órfãos e tristes aqui em Coimbra.
Foi para junto da sua mãe, do seu pai, do seu padrasto, dos seus irmãos, do seu Armandito...
Você foi sempre muito dedicada à sua família.
Sempre que podia, visitava a sua mãe, os seus irmãos e os seus sobrinhos aí em Guilhufe e levava prendas para todos.
Depois, começou a ajudar alguns dos seus irmãos (os mais pobres), cuidando dos filhos destes.
Mais tarde, trouxe o seu irmão José para Coimbra e cuidou dele até à morte deste.
Por fim, fez-nos saber com bastante antecedência que a sua vontade era ser sepultada em Guilhufe, sua terra natal e onde repousavam os seus entes mais queridos.
A sua vontade foi cumprida, como não podia deixar de ser.
Assim, faz hoje 1 ano que o seu corpo repousa junto da sua mãe Ermelinda e da sua irmã Sofia, e muito perto do seu padrasto Joaquim, do seu irmão Vitorino e do pequeno Armandito (vítima de um estúpido e infeliz acidente).
Com o seu desaparecimento e o da nossa querida mãe (e pai), nós ficámos em metade presos a Coimbra e noutra metade presos a Guilhufe.
Mas, sem vocês, nem Coimbra nem Guilhufe são mais o que antes eram para nós.
A vida vai-se arrastando penosamente e vai perdendo cada vez mais o sentido que um dia teve.
Há apenas alguns laços que nos vão ainda aguentando neste tempo difícil: os nossos queridos filhos e queridos netos...
Mas, as nossas memórias são cada vez mais dolorosas...
Muito obrigado por tudo o que você fez por nós.
Esperamos que o seu corpo descanse de vez de todas as canseiras que nós lhe demos.
E que - se houver alguma vida para além desta - o seu espírito tenha a recompensa eterna que tanto fez por merecer.
Os sobrinhos e afilhados eternamente reconhecidos.