Aliás, ela está cada vez mais debilitada e havia já alguns dias que se queixava de uma pequena dor no abdómen (que nós pensámos dever-se à doença oncológica que ela tem no fígado).
A Zeza (que toma conta das nossas duas velhinhas) estava muito preocupada com isso e decidiu chamar a sua casa os médicos do INEM.
A mãe foi levada de imediato para o Hospital da Universidade de Coimbra e deu entrada no serviço de urgência por volta das 13 horas daquele dia.
Ela permaneceu na urgência o resto do dia e, à noite, os médicos decidiram transferi-la para o serviço de Cardiologia do hospital.
Mais precisamente, ela foi levada para a UCIC (unidade de cuidados intensivos coronários), no 3º piso do hospital.
Hoje, dia 26, ela ainda permanece nesta unidade de cuidados intensivos, onde o seu coração está a ser monitorizado em permanência e onde lhe são prestados todos os cuidados que a sua delicada situação requer.
O médico cardiologista desta unidade informou-nos que a mãe teve um enfarte do miocárdio vários dias antes do dia 24 de Junho e que o ideal teria sido que ela tivesse sido socorrida imediatamente a seguir à ocorrência do enfarte (para se tentar a revascularização da zona atingida).
Ele disse ainda que, nesta idade, tudo é mais complicado. E que qualquer pequeno problema poderá ser fatal... (ele usou a metáfora da auto-estrada para os novos e do caminho muito estreito para os velhos).
Assim, ao que parece, a mãe está a ser vigiada e tratada para se evitarem as complicações associadas ao enfarte, nomeadamente a ocorrência de novos enfartes que poderão ser fatais...
Como se vê, o prognóstico é muito reservado... E uma evolução favorável significará apenas que a mãe possa deixar a unidade de cuidados intensivos e passar para a enfermaria de cardiologia...
Mas, ontem, dia 25, fomos visitá-la e pareceu-nos que ela estava razoável... Não tinha dores, conheceu as pessoas (embora com alguns problemas de orientação e de memória que apresenta já há algum tempo), gostou de ver lá os filhos, e comeu benzinho ao jantar...
Hoje, dia 26, e nos próximos dias, vamos continuar a visitá-la e a acompanhá-la nesta fase muito difícil da sua vida.
Não sabemos o que o futuro próximo nos reserva.
Esperamos que a nossa mãe recupere deste problema cardíaco e que esteja ainda muito tempo connosco (embora a doença oncológica, as dores e a degradação corporal que lhe estão associadas sejam sempre uma grande preocupação...).
Mas, se a recuperação não for possível, esperamos que a sua hora seja breve, sem dores, e sem consciência do seu estado terminal.
Por agora, a nossa mãe está num bom hospital e a ser muito bem tratada (a nível científico e a nível humano).
Tudo o que é possível fazer por ela está a ser feito.
Ela bem o merece porque foi sempre uma pessoa simples, boa, trabalhadora, humilde, honesta e amiga de todos.
Ela é também (e foi sempre) uma pessoa de fé. Por isso, merece encontrar um dia aquilo em que acreditou e a recompensa que sempre esperou.
Querida mãe, muito obrigado por tudo!
P. S. - Na visita de hoje, dia 26, a enfermeira disse-nos que a situação da mãe é grave, tendo em conta a sua idade e as doenças de que padece. Mas, acrescentou que ela está a melhorar um pouco... E fundamentou essa afirmação dizendo o seguinte: - que a mãe tinha a tensão muito baixa e que a mesma começou a estabilizar; que urinava muito pouco (através da sonda) e que agora urina melhor; e que à hora do almoço até se sentou um bocadinho na cama...
Vamos lá a ver!... Enquanto há vida, há esperança!...







